Uma planta
diurética e antidepressiva que regula o período menstrual
Com a chegada do calor e a vontade voltada para o
exterior, para as refeições no jardim, para as saladas, para as sopas e para as
ervas aromáticas que adornam e embelezam qualquer prato, muitas vezes
subestimamos o valor dos ornamentos verdes e não os ingerimos. Ficam
abandonados na borda do prato, quando são quase sempre alimentos de alto valor
nutritivo. A salsa costuma ser um deles.
Esta erva de cheiro é um forte diurético, muito útil
no tratamento da retenção de líquidos, de reumatismo, de gota, de infeções da
bexiga e de cálculos renais. Além disso, é reguladora do período menstrual e
ainda alivia os espasmos. Tudo boas razões para a consumir. Os seus benefícios
não se ficam, contudo, por aqui. Estimula a produção de leite materno e
tonifica os músculos do útero. É um tónico geral, aliviando a depressão e o
cansaço na menopausa. Ajuda a aliviar flatulência e cólicas. Para as cólicas
das crianças, faz-se uma leve infusão das folhas e dá-se-lhes a beber duas ou
três colheres depois das refeições.
O chá da salsa pode ser usado em lavagens e em
compressas para picadas de insectos, mas também em situações de inchaços
dolorosos, de olhos irritados e de eczema. As raízes são sudoríferas. Há ainda
quem a considere afrodisíaca e é um refrescante do hálito muito útil depois de
se ingerir alho.
Precauções a ter
Devido ao componente apiol, que é um estimulante das
contrações uterinas, a salsa está contraindicada na gravidez. Não se deve
colher no campo, pois é muito semelhante à cicuta menor que é bastante tóxica e
tem flores brancas e odor fétido.
Um pouco de história
A salsa é, sem dúvida, uma das ervas aromáticas mais
utilizadas no mundo. Os antigos egípcios e os gregos chamavam-lhe o aipo da
montanha e usavam-na para tratar dores no estômago e problemas de bexiga. Os
gregos utilizavam-na contra a epilepsia e como regulador do sistema nervoso.
Simbolizava ainda a festa e a alegria partilhada e costumavam coroar os
vencedores das corridas com uma coroa de salsa.
Habitat
A salsa é originária do Sul da Europa, mas é hoje cultivada um pouco por
todo o mundo. Prefere climas temperados onde também cresce espontaneamente. A
variedade mais comum (Petroselinum crispum) tem folhas muito frisadas e é a
favorita dos ingleses.
A de folha achatada (Petroselinum sativum ou Apinum petroselinum ou
Petroselinum hortense), mais comum entre nós e preferida na gastronomia da
Europa e da Índia, é mais resistente, tem um sabor mais forte e contém mais
propriedades medicinais. Utilizam-se as folhas, as raízes e as sementes, apesar
de estas últimas não serem recomendadas para uso interno.
Esta planta cresce em terrenos incultos, nas frestas de rochas e muros.
É uma planta vivaz, de caule erecto, e folhas compostas de um verde intenso,
lisas ou frisadas, da família das umbelíferas. Atinge entre 30 a 60 centímetros
de altura.
Composição
Contém óleo essencial, cânfora-de-salsa (apiol), miristicina,
flavonóides, pectina, muita clorofila, taninos, matéria corante amarela,
vitamina A, B, C e E, ácido fólico, ferro, cobre, cálcio e fósforo. A raiz
contém ainda amido e mucilagem.
Na horta
A salsa misturada com sementes de cenoura ajuda a repelir a mosca desta
última devido ao seu aroma. Protege as roseiras do escaravelho. Quando plantada
com o tomate ou com os espargos, revigora-os. Uma forma de combater a borboleta
negra (cauda de andorinha) é soltar as aves da capoeira nos canteiros da salsa.
As galinhas adoram as larvas desta borboleta. Algumas variedades da salsa são
cultivadas apenas para aproveitar as raízes carnudas que se podem comer da
mesma forma que os nabos.

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